ADOÇÃO TARDIA AO VÍNCULO QUEBRADO: OS IMPACTOS NA DEVOLUÇÃO E SUAS MARCAS EMOCIONAIS
Resumo
Nenhum filho(a) adotivo está isento de ser idealizado pelos pais, alguns casais preferem esperar por vários anos até encontrar a criança dos “sonhos”. As crianças que não atendem ao perfil desejado crescem e têm suas chances de adoção reduzidas ou são adotadas tardiamente, já que a maioria dos adotantes optam por crianças pequenas e dependentes de responsáveis. Na adoção tardia, é presente um prejuízo no estabelecimento de vínculos, ocasionando em dificuldades de lidar com os conflitos que vão surgir e consequentemente na devolução da criança à instituição de acolhimento. Este estudo tem como objetivo investigar as possíveis causas das adoções tardias que antecedem as devoluções de crianças/adolescentes e através disso conscientizar dos impactos psicológicos frutos desse processo. Baseia-se em uma revisão integrativa com características bibliográficas com coleta de dados nas bases científicas SciELO, LILACS e Google Acadêmico, publicações em português dos últimos cinco anos. Os resultados indicaram falhas no processo de preparação dos pretendentes à adoção, a tendência da culpabilização das crianças pela devolução, as mudanças no comportamento das crianças após devolução, as dificuldades dos pais na adaptação e no processo de lidar com suas expectativas em relação à adoção. Portanto, a idealização anterior a adoção é o principal desencadeador da adoção tardia seguida da devolução de crianças maiores que não correspondem à expectativa dos adotantes, ocasionando nessas crianças danos psicológicos, em sua maior parte irreversíveis, trazendo sentimentos de desprezo com possíveis consequências como crises de identidade e desconfiança em relações interpessoais.

